domingo, 3 de julho de 2011

A Saudade do Serrano

E então, no domingo retrasado, estávamos todos no SPA da Dona Lenize, quando surge a função e gravamos meu honorável avô, o Seu Alceu Feijó, declamando versos que fez.

Duas semanas depois, ensaiei uma milonga pra fazer um pano de fundo. Simples, mas eficaz (pelo menos acho eu).

Confere:

Nas coxilhas de estimação
Morada do minuano
Pastagem do redomão
Fui criado como todo serrano

Hoje, distante do passado
Procuro, com o laço da saudade
Dar um pealo no potro alçado
Daquela juventude sem maldade

Mas, por mais que apinche o laço
Vejo triste ele fugir da armada
Deixando ao alçance de um abraço
O matungo da velhice estropiada...

O Mexerico!

Caros!

Volto ao blog, agora pra postar umas artes que ando aprontando. A música que vou colar agora é uma antiga peça que cantávamos no coral da Ulbra, nos idos de 1996.

Havia gravado uma vez, numa grande enjambração: um toca-fita de dois decks, um microfone e uma enorme disponibilidade de tempo e paciência pra ficar trocando as fitas e gravar voz por voz.

A enjambração continua, mas agora conto com um PC, o Audacity (que, aliás, me foi apresentado pelo Rodrigo) e um pré-amplificador. Ah, e microfone xumbrega + captador de violão, que não tô tão empolgado - ainda - a ponto de sair gastando em aparelhagem. Mas olha, não falta muito.

Enfim, regravei! Adoro essa música. É uma fuga a quatro vozes, mas não esperem melodia: ela é toda falada.

Eis o texto que antecede a partitura:

"Outro recurso da composição coral consiste em fazer o coro falar, em vez de cantar.

Esse recurso tem sido muito usado na música do Século XX. Geralmente, o que acontece é o seguinte: intercalam-se um ou mais trechos falados no meio da música cantada, com a finalidade de dar maior realce a momentos dramáticos da poesia.

O exemplo que vamos ouvir, porém, é todo falado. Trata-se de uma fuga falada a quatro vozes.

Fuga é uma composição baseada num tema, que é primeiramente citado por um grupo sozinho e que, daí em diante, aparece ora num, ora noutro grupo, de acordo com certas regras de construção musical.

O tema de uma fuga é sempre uma pequena melodia. Mas a fuga que vamos ouvir é excepcional, no sentido de que não tem melodia, nem acordes - tem apenas ritmo.

O tema aparece inicalmente nos baixos, durante quatro compassos. Procurem fixá-lo na memória, porque ele é o elemento mais importante da fuga e vai sempre reaparecer nos outros grupos do coro.

A letra do tema é um provérbio, de índole um tanto humorística, mas que encerra uma grande verdade: 'Quem tudo quer saber, mexerico quer fazer'..."


Buenas! Mas antes, quero apresentar os instrumentos que usei!

1. Galão 5l de água mineral "Água da Pedra"
2. Molho de chaves
3. Peso de papel/porta canetas
4. Triângulo


Fiz as quatro vozes (tá, fica bem ridículo, mas é esse o espírito mesmo! rs).

Pena que não tem o nome do compositor na partitura, pois gostaria de dar os créditos. E os parabéns. Se alguém souber, por favor, me avise.

Boa sorte!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Epifania

Dicionário Priberam:
epifania
(grego epipháneia, -as, aparição, manifestação)
s. f.
1. Relig. Manifestação de Jesus aos gentios, nomeadamente aos Reis Magos.
2. Relig. Festa religiosa cristã que celebra essa manifestação. = dia de Reis
3. Qualquer representação artística dessa manifestação.
4. Relig. Aparecimento ou manifestação divina.
5. Apreensão, geralmente inesperada, do significado de algo.

Dicionário do André:
epifania
(grego epipháneia, -as, aparição, manifestação)
s. f.
1. Termo presente no vocabulário de Domingo.
2. Ápice do racioncínio, sacada genial.
3. Momento de reflexão rápida e muito massa.
4. Orgasmo mental.

Exmo. Sr. Min. Luiz Fux:

Foi com pesar que percebi, na leitura do seu voto, logo na primeira afirmação, que seu posicionamento seria contrário ao amplo interesse da sociedade brasileira.

Não me arriscaria entrar no mérito da questão, pois sou leigo em direito, mas também não vou me furtar de expressar minha frustração, desapontamento e tristeza, pois eu realmente confiava que o Sr., em se autointitulando um humanista, fosse aliar-se ao povo brasileiro.

Sob meu restrito ponto de vista, o Sr. escolheu o tecnicismo frio e calculista em detrimento de fazer a diferença na história do Brasil. Julgando externamente - o que é sempre dúbio e superficial, reconheço - o Sr. preferiu agradar seus colegas juristas a endossar a vontade pública.

Sem exageros: neste sentido, meu sentimento é de luto, pois participei ativamente de todas as etapas da construção desta lei, e batalhei bastante para que fosse aplicada ainda este ano.

Mas o que não entra na minha cabeça, apesar de todos os brilhantes argumentos, é como uma lei engendrada pelo povo pode contrariar a Constituição, uma vez que a Constituição endossa que "todo o poder emana do povo". Neste sentido, o STF deveria ser um defensor da soberania popular e não um conjunto de técnicos se posicionando como se fosse necessário defender a Constituição da iniciativa popular.

Sabe a impressão que dá? Critérios técnicos inferiores se tornam mais importantes que o princípio da moralidade. Ou, como citou um colega no Twitter: "Tá claro: no Brasil, combater a corrupção é inconstituicional".

Meu luto também é das expectativas que eu criei a respeito do Sr. Agora, da mesma forma que em relação ao Min. Gilmar Mendes, só me cabe refletir sobre suas íntimas motivações.

Sinceramente,

André Meirelles

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Sobre o aborto

O Sérgio Cabral é um boçal, como o são grande parte dos políticos deste país. A frase dele sobre o aborto, "Quem aqui não teve uma namoradinha que teve que abortar?", é um exemplo de como a banalização tem um papel importante no processo político. Esse animal trata uma questão séria e profunda com a mesma frivolidade e imbecilidade que deve tratar todos os outros assuntos dessa vida pífia que leva.

Mas alguém tem que fazer o papel de bobo da corte - e sempre tem quem aplauda. Hoje o Haidar, jornalista especializado em assuntos jurídicos, tuitou que "A frase do Sérgio Cabral sobre aborto é horrível na forma. Mas seu conteúdo é correto. Questão do aborto é de saúde pública."

Esse é outro aspecto dos golpes que uma ampla discussão sofre: o esquartejamento. Pra que se toque o assunto adiante - intencionalmente na direção desejada, ressalte-se - se reduz todos os diferentes enfoques a apenas um, o mais visível e verificável. E portanto, o mais fácil de compreender.

Olha o que o Haidar me respondeu, quando lembrei ele dos aspectos éticos e filosóficos do debate: "Ética, concordo contigo. Filosófica, não. Enquanto se discute a filosofia das coisas, mulheres morrem."

É simples assim: precisamos salvar as mulheres de morrerem em clínicas clandestinas. Então, legalizemos o aborto, pra que não morram mais mulheres assim - talvez morram menos no SUS. Pronto, resolvido.

Mas espera: quem está obrigando as mulheres irem para clínicas clandestinas? Ah, é mesmo, isso não está sendo considerado. O aborto é, em última instância, uma decisão da mãe. Ela decide se expor ao risco de vida ao extirpar a vida dentro de si. Claro que muitas pressões internas, familiares, sociais e econômicas fazem parte do jogo - além, é claro, das mais variadas falta de apoio.

Mas a orientação, educação sexual, acompanhamento e apoio do Estado à gravidez, valorização da vida em todos os seus aspectos, conhecimento da vida intra-uterina, fiscalização e prisão de médicos ilegais são outras soluções para o mesmo problema - só que, é sabido, isso demora mais, dá mais trabalho, consome recursos. Mais fácil é legalizar duma vez.

E sabe o que mais? Olha quantas pessoas morrem todos os dias por consumo de drogas. Que perigo, ter que ir lá no beco e negociar com o traficante, ficar devendo, ter que pagar com prostituição, roubo ou a própria vida. Isso também é uma questão de saúde pública. Vamos tornar lícitas as drogas proibidas e tudo isso se resolve!

Não, não. Atacar o problema no efeito, e não na causa, é uma saída fácil e pobre. Aliás, eu poderia chamar por outro nome: covardia moral.

E a Constituição, que diz que a vida é um bem inalienável? Mas tem o direito da mulher de fazer o que quiser com o corpo. É mais do que justo, mas o direito do feto de ter a integridade física preservada? Ou aquele embrião, talvez já no terceiro mês de vida, ainda não é um ser vivo? Onde começa a vida?

Se precisamos definir onde começa a vida, então a discussão também é filosófica sim. E se chegarmos a um consenso nesse sentido - o que eu duvido, pois já está consolidado que o feto tem vida inteligente, por um lado, e por outro lado o Conselho Federal de Medicina precisa favorecer sua classe - a discussão estará encaminhada.

Mas eu digo tudo isso sem nem considerar o aspecto espiritual da questão. Senão, um post seria muito pouco.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Em termos de crítica

Existem duas formas de ser grande: ou você é maior que os outros ou os outros são menores que você.

O jeito mais fácil de ser grande é diminuindo os outros e seus feitos, para que se tenha a sensação de ser grande – mesmo continuando do mesmo tamanho. Essa é a ilusão e o vício da crítica.

É notadamente mais fácil crescer assim. É a tática usada por muitos e aceita pela maioria: se alguém consegue achar defeitos em determinado sujeito ou objeto, é porque tem padrões de excelência que vão além. Sabe mais, logo, é melhor.

Mas há uma grande diferença em saber melhor e fazer melhor. A verdadeira grandeza se denota na ação.

O resto é fumaça.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Retrucando

E daí, quando me chamavam de grosso, eu ajuntava:

- E comprido!

Se é pra me chamar de grosso, que tenham razão.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A Cura

Acabo de assistir o filme "A Ponte" (The Bridge), um documentário que narra o lado "obscuro" da Golden Gate: é o lugar mais utilizado no mundo todo por pessoas que desejam consumar o suicídio.

Assistir a pessoas deliberadamente se jogando de uma ponte é um choque. Principalmente a primeira cena.

O filme trouxe depoimentos de pessoas próximas às que pularam da Golden Gate (e foram filmadas). Todas tinham histórico de transtorno mental.

Eu não posso deixar de me perguntar: qual será a cura para os males da mente? Não consigo concordar com o termo "doenças incuráveis". Para mim, é mais correto dizer "doenças cuja cura ainda não foi descoberta".

Qual será o fator causal da esquizofrenia, quando não é de fundo obsessivo? E da bipolaridade? Serão conteúdos não-conscientes muito tumultuados que transitam nas profundezas, gerando ondas de choque na superfície? Qual será o dano no tecido mental, psicológico, perispiritual, que resulta nesses sintomas de transtorno psíquico? Quais são as crenças que promovem esse desequilíbrio nos fundamentos do funcionamento mental?

E qual será a cura para esses males? Intervenção fluídica? Reconstituição da estrutura psicológica? Precisa haver uma forma, mesmo que ainda distante da nossa compreensão.

Mas... e se, por outro lado, o próprio transtorno mental seja um expurgo de desequilíbrios? Isso me parece bastante lógico, mas não é muito mais difícil vencer o impulso suicida quando se tem essas complicações? Ou será que é a própria ânsia de morte a gênese dos distúrbios?

Eu realmente preciso ir estudar psicologia.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Sobre a verdade

Há, sim, uma verdade absoluta e dela tudo emana. Existem muitas verdades relativas, mas sempre relativas a algo.

Os que dizem que não há verdade absoluta não entendem que até mesmo o conceito de relativo não existiria sem o absoluto; sem o absoluto, todo o relativo é definitivo.

Complexo? Nem... é simples.