O Sérgio Cabral é um boçal, como o são grande parte dos políticos deste país. A frase dele sobre o aborto, "Quem aqui não teve uma namoradinha que teve que abortar?", é um exemplo de como a banalização tem um papel importante no processo político. Esse animal trata uma questão séria e profunda com a mesma frivolidade e imbecilidade que deve tratar todos os outros assuntos dessa vida pífia que leva.
Mas alguém tem que fazer o papel de bobo da corte - e sempre tem quem aplauda. Hoje o Haidar, jornalista especializado em assuntos jurídicos, tuitou que "A frase do Sérgio Cabral sobre aborto é horrível na forma. Mas seu conteúdo é correto. Questão do aborto é de saúde pública."
Esse é outro aspecto dos golpes que uma ampla discussão sofre: o esquartejamento. Pra que se toque o assunto adiante - intencionalmente na direção desejada, ressalte-se - se reduz todos os diferentes enfoques a apenas um, o mais visível e verificável. E portanto, o mais fácil de compreender.
Olha o que o Haidar me respondeu, quando lembrei ele dos aspectos éticos e filosóficos do debate: "Ética, concordo contigo. Filosófica, não. Enquanto se discute a filosofia das coisas, mulheres morrem."
É simples assim: precisamos salvar as mulheres de morrerem em clínicas clandestinas. Então, legalizemos o aborto, pra que não morram mais mulheres assim - talvez morram menos no SUS. Pronto, resolvido.
Mas espera: quem está obrigando as mulheres irem para clínicas clandestinas? Ah, é mesmo, isso não está sendo considerado. O aborto é, em última instância, uma decisão da mãe. Ela decide se expor ao risco de vida ao extirpar a vida dentro de si. Claro que muitas pressões internas, familiares, sociais e econômicas fazem parte do jogo - além, é claro, das mais variadas falta de apoio.
Mas a orientação, educação sexual, acompanhamento e apoio do Estado à gravidez, valorização da vida em todos os seus aspectos, conhecimento da vida intra-uterina, fiscalização e prisão de médicos ilegais são outras soluções para o mesmo problema - só que, é sabido, isso demora mais, dá mais trabalho, consome recursos. Mais fácil é legalizar duma vez.
E sabe o que mais? Olha quantas pessoas morrem todos os dias por consumo de drogas. Que perigo, ter que ir lá no beco e negociar com o traficante, ficar devendo, ter que pagar com prostituição, roubo ou a própria vida. Isso também é uma questão de saúde pública. Vamos tornar lícitas as drogas proibidas e tudo isso se resolve!
Não, não. Atacar o problema no efeito, e não na causa, é uma saída fácil e pobre. Aliás, eu poderia chamar por outro nome: covardia moral.
E a Constituição, que diz que a vida é um bem inalienável? Mas tem o direito da mulher de fazer o que quiser com o corpo. É mais do que justo, mas o direito do feto de ter a integridade física preservada? Ou aquele embrião, talvez já no terceiro mês de vida, ainda não é um ser vivo? Onde começa a vida?
Se precisamos definir onde começa a vida, então a discussão também é filosófica sim. E se chegarmos a um consenso nesse sentido - o que eu duvido, pois já está consolidado que o feto tem vida inteligente, por um lado, e por outro lado o Conselho Federal de Medicina precisa favorecer sua classe - a discussão estará encaminhada.
Mas eu digo tudo isso sem nem considerar o aspecto espiritual da questão. Senão, um post seria muito pouco.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Em termos de crítica
Existem duas formas de ser grande: ou você é maior que os outros ou os outros são menores que você.
O jeito mais fácil de ser grande é diminuindo os outros e seus feitos, para que se tenha a sensação de ser grande – mesmo continuando do mesmo tamanho. Essa é a ilusão e o vício da crítica.
É notadamente mais fácil crescer assim. É a tática usada por muitos e aceita pela maioria: se alguém consegue achar defeitos em determinado sujeito ou objeto, é porque tem padrões de excelência que vão além. Sabe mais, logo, é melhor.
Mas há uma grande diferença em saber melhor e fazer melhor. A verdadeira grandeza se denota na ação.
O resto é fumaça.
O jeito mais fácil de ser grande é diminuindo os outros e seus feitos, para que se tenha a sensação de ser grande – mesmo continuando do mesmo tamanho. Essa é a ilusão e o vício da crítica.
É notadamente mais fácil crescer assim. É a tática usada por muitos e aceita pela maioria: se alguém consegue achar defeitos em determinado sujeito ou objeto, é porque tem padrões de excelência que vão além. Sabe mais, logo, é melhor.
Mas há uma grande diferença em saber melhor e fazer melhor. A verdadeira grandeza se denota na ação.
O resto é fumaça.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Retrucando
E daí, quando me chamavam de grosso, eu ajuntava:
- E comprido!
Se é pra me chamar de grosso, que tenham razão.
- E comprido!
Se é pra me chamar de grosso, que tenham razão.
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