quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Quando estás distraída

Quando estás distraída, e sem que me possas perceber, eu silencio para te ouvir.

Ponho todos os meus sentidos a postos, embora não seja com eles que eu vá escutar. Vejo tua imagem, percebo teu corpo, noto tuas expressões, pressinto o que pensas, o que sentes.

Vou navegando por essas impressões, aguçando aos poucos a percepção, sentindo vibrar a emoção como se estivesse a despir-te, descortinando lentamente o teu corpo, descobrindo tua beleza nua.

Aquieto mais minha alma. Ouço teus desejos e aspirações, teus anseios, tuas preocupações, teus medos, tuas conquistas. Te desnudo um pouco mais. Descubro mais uma parte de ti. Avanço pelo que não conheces de ti mesma; ultrapasso a sombra que não queres ver...

...e chego no que tu és: tua essência.

E deixo tudo o que irradias entrar suavemente dentro de mim. E que doce é te saber, sentir a música que emana a tua alma...

Sei que não me percebes; e é assim que deve ser, pois é quando não se está ocupado em ser que realmente se é o que se é.

2 comentários:

Tati Maffi disse...

adorei o texto!!

Anônimo disse...

Parabéns, és tu aí, garoto!